- Não são só cerca de 80 mil empregos* diretos e 300 mil terceirizados (dados do final de 2014);- Não são só mais de 82...

Posted by Em Defesa da Petrobras on Domingo, 15 de março de 2015
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Em defesa da Petrobras


O engenheiro Pedro Celestino Pereira explica, passo a passo, o que aconteceu com a Petrobras ao longo dos anos:
Posted by Em Defesa da Petrobras on Segunda, 9 de fevereiro de 2015




Em defesa da Petrobras

Clube de Engenharia | Por Pedro Celestino Pereira


A Petrobras é a maior expressão da capacidade criadora do povo brasileiro. Símbolo da afirmação da vontade nacional, gestada a partir de ampla mobilização popular, endossada por expressivas lideranças militares, a sua criação foi, na década de 50 do século passado, a principal responsável pela crise política que levou Getúlio Vargas ao suicídio. Ousara ele desafiar o capital internacional que então dominava completamente a nossa economia, ao propor a criação de empresas estatais que alavancassem o nosso desenvolvimento industrial.

Por décadas enfrentando, desde o ceticismo de geólogos estrangeiros que, através da grande imprensa, viviam a apregoar que no Brasil não havia petróleo, até a oposição sistemática de forças políticas que sempre se pronunciaram e se pronunciam abertamente a favor da entrega do negócio do petróleo ao capital estrangeiro sob a alegação de que, aqui, não há capacidade técnica nem capital para desenvolvê-lo, a Petrobras arrostou todos os obstáculos e firmou-se como uma das maiores empresas petrolíferas do mundo.

Claro está que, em empresas do porte da Petrobras, públicas ou privadas, sempre houve e haverá irregularidades e malfeitos. O que cabe discutir hoje é o processo que levou a Petrobras à incômoda situação em que se encontra, de modo que possamos defendê-la, no momento em que se pretende fragilizá-la para permitir o assalto estrangeiro às maiores reservas de petróleo descobertas nos últimos 30 anos, as do Pré-Sal.

Até 1973 quando, aproveitando-se da guerra Israel-Egito, a Arábia Saudita nacionalizou a exploração e produção de petróleo no seu território, era usual o imperialismo ir à guerra ou derrubar governos que contestassem seu domínio sobre o negócio do petróleo. Diante da impossibilidade de derrubar a monarquia saudita, foi obrigado a conviver com empresas estatais, e a buscar novas formas para assegurar seu domínio. Data de então o início do processo de cooptação e de corrupção de dirigentes de estatais na área de petróleo.

Aqui, esse processo teve início de forma sistemática no primeiro mandato de FHC quando, com Joel Rennó, tecnocrata vindo da Vale do Rio Doce, na presidência da Petrobras, decidiu-se estabelecer uma parceria para desenvolver o campo de Marlim, então a maior reserva da empresa, sob a alegação de não havia recursos financeiros suficientes para fazê-lo sozinha. Constituiu-se então uma empresa, a Companhia Petrolífera Marlim, liderada pelo ABN-AMRO Bank, presidido pelo senhor Fabio Barbosa, em seguida nomeado membro do Conselho de Administração da Petrobras, ao mesmo tempo em que outro funcionário do mesmo Banco, Ronnie Vaz Moreira, assumia a diretoria financeira da Petrobras. A Companhia captou 1,5 bilhão de dólares no mercado internacional, dando em garantia o petróleo a ser produzido e a garantia corporativa da Petrobras. Por que, então, a parceria? Mais ainda, assegurava-se ao ABN AMRO Bank e ao J P Morgan, também sócio da empresa, remuneração mínima para o capital que proventura viessem a aportar, eliminando qualquer risco financeiro deles. É o que se convencionou chamar de cláusula Marlim, à baila hoje no noticiário sobre a compra da refinaria de Pasadena.

Rennó também sustou a realização de concursos para a reposição do quadro técnico da empresa e deu início a vigoroso processo de terceirização de atividades, com empresas nacionais e estrangeiras. Visava-se com isto fragilizar a empresa e prepará-la para a privatização.

No segundo mandato de FHC, Rennó foi substituído por Henri Philippe Reichstul. Este contratou a A.D.Little (ADL), consultora norte-americana, para reestruturar a empresa. A ADL aboletou-se em um andar contíguo ao da diretoria no edifício-sede da Petrobras, e passou a ter acesso indiscriminado às informações confidenciais da empresa. Note-se que esse processo se deu ao tempo em que era rompido o monopólio estatal do petróleo e em que, criada a Agência Nacional de Petróleo - ANP, sob a batuta do então genro de FHC, David Zylbersztajn, tinha início o leilão das reservas de petróleo brasileiras, em modelo que não se aplica no mundo desde o primeiro choque do petróleo, permitindo à concessionária apossar-se do petróleo produzido, remunerando o Governo com royalties, ao invés de receber por prestação de serviços. 

A ADL recomendou fatiar a Petrobras em Unidades de Negócio, para permitir a sua privatização por etapas (a Refinaria Alberto Pasqualini chegou a ter 30% do seu capital vendido à YPF argentina, então controlada pela Repsol espanhola), dissolver o Serviço de Engenharia (Segen) da Petrobras, o cerne da acumulação de conhecimentos técnicos da empresa, e criar uma gratificação de desempenho para o escalão dirigente da empresa, para quebrar a unidade do corpo técnico e facilitar a sua cooptação para as propostas privatizantes. Reichstul propôs a venda ao mercado do excedente ao mínimo que assegurasse à União o controle acionário da empresa. Assim, 40% do capital da Petrobras passaram a controle estrangeiro.

Para o Conselho de Administração em dado instante foram indicados Andrea Calabi (hoje secretário de Fazenda de Alckmin em São Paulo) e Gerald Heiss (ilustre desconhecido) que tinham em comum o fato de serem sócios da empresa Consemp, o que lhes dava uma influência desmedida naquele colegiado. Ainda na gestão de Reichstul Delcídio Amaral, indicado pelo PFL (fora diretor da Eletrosul no governo Collor e secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia no governo Itamar), assumiu a diretoria de Gás e Energia. Sua gestão caracterizou-se por entregar, sem licitação, participação acionária em 14 das 22 distribuidoras de gás estaduais das quais a Petrobras era sócia, a empresas controladas por Carlos Suarez, do grupo OAS, de notórias ligações com o senador Antonio Carlos Magalhães, maior liderança do PFL, e à Enron e à El Paso, e por contratar a construção de 3 termelétricas a gás com a MPX de Eike Batista e, mais uma vez, com a Enron e com a El Paso, quando se sabia que não haveria oferta de gás suficiente, supostamente para resolver a crise de demanda de energia que levou ao apagão de 2001.

Quando Lula assumiu em 2003, esperava-se que o esvaziamento da Petrobras fosse sustado. Infelizmente, tal não ocorreu. Afora a indicação de Guilherme Estrella, técnico de reconhecida competência e probidade, para a diretoria de Exploração e Produção e de Ildo Sauer, especialista em energia vindo da USP, as demais diretorias técnicas foram ocupadas por profissionais de notório comprometimento com práticas lesivas ao interesse público, como se verá a seguir.

Delcídio Amaral, ao vislumbrar a ascensão de Lula, abandonou o PFL e migrou para o PT, vindo a eleger-se senador por Mato Grosso do Sul, seu Estado natal. Pleiteou então ser ministro de Minas e Energia. Lula, entretanto, já se comprometera com a nomeação de Pinguelli Rosa, diretor da Coppe/UFRJ. Diante do impasse, Lula optou por convidar Dilma Rousseff, então secretária de Energia do Rio Grande do Sul, para ser a ministra. Delcídio, então, pleiteou a diretoria de Gás e Energia da Petrobras para seu indicado, Nestor Cerveró, que com ele trabalhara na negociação dos contratos das termelétricas. Como Ildo Sauer já havia sido convidado para o cargo, Cerveró passou a ocupar a diretoria Internacional da Petrobras. Já a diretoria de Abastecimento foi oferecida ao PP, cabendo ao então líder na Câmara dos Deputados, José Janene, indicar o seu conterrâneo paranaense Paulo Roberto Costa para o cargo. Paulo Roberto era na ocasião superintendente da TBG, empresa constituída pela Petrobras e pela Enron, grupo americano que quebrou espetacularmente no final dos anos 90 para construir o gasoduto Brasil - Bolívia.

Na TBG a Petrobras entrou com o dinheiro e as garantias em financiamentos bancários, e a Enron, com 50% dos resultados, prática usual nas parcerias feitas pela empresa a partir da gestão de Rennó. Janene em 2005 foi envolvido no escândalo do chamado mensalão. Paulo Roberto ficou, assim, sem sustentação política. Foi salvo por Jader Barbalho, e passou a ser bancado pelo PMDB. Paulo Roberto teve sob sua responsabilidade 2 grandes investimentos da Petrobras: o pólo petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e a Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. Ambos tiveram seus orçamentos inflacionados em escala jamais vista em empreendimentos da mesma natureza. Completa a lista de indicações políticas de Lula a presidência da Transpetro, a empresa de navegação e de dutos da Petrobras, entregue a Sergio Machado, ex-senador, líder do governo FHC, apadrinhado por Renan Calheiros.

Vê-se, assim, o progressivo desprestígio do corpo técnico da empresa, mais e mais limitado à função de carimbador de faturas, porta aberta para a deterioração dos padrões de comportamento funcional.

No primeiro mandato de Lula, Ildo Sauer solicitou a Eros Grau, maior autoridade brasileira em direito administrativo (não fora ainda nomeado ministro do STF), parecer sobre os contratos das termelétricas assinados por Delcídio. Neles, os sócios privados (a MPX de Eike Batista na termelétrica de Fortaleza – CE, a Enron na de Seropédica – RJ e a El Paso na de Macaé - RJ) tinham lucro garantido (a sempre presente cláusula Marlim), pois se não houvesse gás para acionar as térmicas a Petrobras se obrigava a remunerá-los com elas paradas. O parecer de Grau foi taxativo: ensejavam enriquecimento sem causa. Os contratos foram, então, rescindidos pela Petrobras. Se mais não fizesse, bastaria essa ação para consagrar a gestão de Sauer como diretor da empresa. Sauer, entretanto, não sobreviveu como diretor. No segundo mandato de Lula foi substituído por Graça Foster, especialista em gás e energia oriunda do Cenpes, o Centro de Pesquisas da Petrobras. Cerveró deixou a diretoria Internacional da empresa em 2008, entregando-a a Jorge Zelada, indicado por Jader Barbalho e Renan Calheiros. Manteve-se portanto na Petrobras nas gestões de Dutra e Gabrielli a estrutura de poder estabelecida na gestão Rennó até a ascensão de Graça Foster à presidência da empresa, já no governo Dilma.

No período Lula, porém, graças à pertinácia de Estrella, que prestigiou o corpo técnico que recebera, desmotivado, das gestões Reichstul e Gros do segundo mandato de FHC, a Petrobras fez a maior descoberta mundial de petróleo dos últimos 30 anos: o chamado Pré-Sal. Lula, então, decidiu enfrentar a pressão internacional para entregar o petróleo nos moldes propostos pela ANP. Optou por atribuir à Petrobras a exclusividade das operações no Pré-Sal e por remunerar os eventuais parceiros da empresa por prestação de serviços, e não em petróleo. O Congresso Nacional, em 2010, aprovou o modelo proposto pelo Governo Lula. A partir daí, teve início campanha sistemática de descrédito da Petrobras, culminando com a ofensiva atual, na imprensa e no Congresso, destinada a incutir na opinião pública que a Petrobras é um caso perdido, típico da má gestão do Estado.

Viu-se aqui que vem de longe o descaminho da Petrobras, noticiado apenas quando convém aos grupos interessados em destruí-la.

A Petrobras pode e deve ser defendida, o que não implica negar a necessidade de mudanças na sua gestão, de forma a permitir maior controle e transparência das suas ações. Não pode a empresa continuar refém de interesses, seja corporativos, seja privados, nacionais e estrangeiros, que se apropriaram dos seus principais postos de direção, afastando-a dos objetivos para os quais foi criada.

Não há o que temer na apuração dos crimes cometidos. Impõe-se resgatar o papel do corpo técnico da empresa, restabelecer a competência da engenharia, que levou a Petrobras a conquistar inúmeros Prêmios Internacionais de Excelência, e desfazer a ruinosa reestruturação empreendida por Reichstul, de modo a devolver a Petrobras à condição de empresa símbolo do orgulho nacional brasileiro.

Pedro Celestino Pereira é engenheiro.

Petrobras: a grande sabotagem

Desenvolvimentistas | Por Bento Araújo


A mídia noticiou recentemente uma “suposta redução da produção na Petrobrás”, com a qual discordo e julgo descabido.

Foi noticiado internamente na empresa e no blog Desenvolvimentistas, e ainda continua sendo publicado, o que, na verdade, é um “Plano de Total Desinvestimento no Exterior”, ou seja, desde 2012, o que mais se fala na empresa, é a mudança radical do cenário que ele representa, pois tudo o que tudo o que foi comprado no exterior naquele “Plano de Internacionalização de FHC”, foi, na época, um ato intencional de vender a preços ínfimos ações na Bolsa de NY (NYSE) para propiciar uma drástica mudança de foco da empresa para o exterior, – uma espécie de “privatização branca” da gigantesca estatal petrolífera, pois naquela época, março de 1999, a Petrobras foi classificada pelo Forbes como a sexta empresa do mundo.

Esse programa de FHC teve várias denominações “programa desnacionalização”, “programa de internacionalização”, e, desde 2012, dada a importância da descoberta do Pré-sal, como mudou o cenário e também os planos, a Petrobras precisa vender essas unidades antigas no Exterior, compradas desde o início desse programa de FHC de internacionalização (desnacionalização), cujos resultados serão totalmente revertidos nos próximos anos. A Petrobras venderá a médio prazo, todas essas antigas unidades operacionais, pois muitas são antigas e obsoletas, e seu custeio para mantê-las seria muito alto. Todas essas unidades, seis compradas na era FHC no Exterior, pertencentes a multinacionais inglesas, espanholas e americanas na América Latina, mais as duas compradas pelo governo Lula (Okinawa e Pasadena) serão colocadas à venda, assim como as seis refinarias e unidades de produção, sendo uma delas a refinaria de Bahia Blanca.

O caso de Bahia Blanca foi uma negociata vergonhosa, feita com a empresa espanhola REPSOL, sete meses depois do afundamento da P-36, causado pelas ingerências do governo. Esse negócio foi um escândalo, que gerou perdas financeiras enormes para a Petrobras, coisa que a mídia e os políticos sequer comentam; tal sucata foi objeto de uma troca absurda, entregando-se uma refinaria de porte considerável, a moderna e eficiente REFAP – Canoas/RS, e mais o “brinde” de dez por cento das reservas do campo gigante de Albacora Leste (P-50). Todo esse patrimônio, que vale mais de três e meio bilhões de dólares foi trocado por uma bandeira de postos da Repsol – que valia muito pouco, – incluiu a obsoleta, minúscula refinaria de baixa complexidade de Bahia Blanca, a qual, além de não valer mais que 40 milhões de dólares, nunca deu lucro, e só amargou prejuízos para a Petrobras.

Tal negociata foi feita pelo genro do FHC, então chefe da ANP, sr David Zylbersztajn e pelo presidente estrangeiro da Petrobras, Monsieur Henry Phillipe, em dezembro de 2001, através de entendimentos com um parente de Carlos Menem, dono de um cassino de Buenos Aires, e antigo dono da Refinaria de Bahia Blanca.

As perdas financeiras provocadas por essa troca da Refap pela Refinaria de Bahia Blanca se agravaram depois da explosão ocorrida na unidade em 2012. Essa explosão causou mortes, e obrigou a unidade a permanecer fechada, sem condições de operar por muito tempo, com prejuízos enormes. Além disso, a Petrobrás ainda teve que pagar multas milionárias determinadas pela Justiça Argentina.

Portanto, esse acertado “Programa de Desinvestimento no Exterior”, anunciado em maio de 2012, foi amplamente divulgado no blog público da Petrobrás, logo após a demissão de Costa, em 30 de abril de 2012, e a demissão de Nestor Cerveró, que era diretor da Area Internacional. Ao assumir a presidência em 2012, a senhora Graça Foster exonerou o Cerveró da área internacional criada por FHC logo após a demissão de Costa, pois, além ser mudado o foco da empresa do mercado nacional para o Exterior, eles ainda realizaram, em março de 1999, uma absurda venda de um lote bilionário de ações (quase metade da Petrobras – 40% das ações OP PETR4), por um bilhão de dólares.

O governo brasileiro de então fez essa venda no pregão de Nova Iorque, ao mega-especulador norte-americano Sr George Soros, da Soros Fund Management e patrão de Armínio Fraga, então ministro do Banco Central (!) Na época, o comprador pagou com moedas podres do mercado imobiliário norte-americano, que nominalmente valiam 40 bilhões de dólares,– que pagou com moedas podres do mercado imobiliário americano, arrastados esses títulos na crise de alguns anos após. Esse negócio significou um enorme prejuízo para a Petrobrás, que deixou no NYSE a metade de seus lucros desde o ano 2000. George Soros, desde então já embolsou , apenas com a Petrobrás, mais de 90 bilhões somente no jogo de compra/vende aproveitando as altas e baixas das ações.

O patrimônio do Soros Fund Management” supera o PIB de muitos países, sendo ele o maior mega-especulador e mega-agiota do mundo. Armindo Fraga, que trabalha para Soros, muito ajudou nesses “negócios da China” no Brasil, e a empresa de Soros é o maior sócio privado da Petrobrás. Este foi um golpe de golpe de mestre na Bolsa de NY, pois as ações valiam mais de 45 bilhões de dólares e foram vendidas a um bilhão. Desde 2000, a Petrobras deixa no NYSE uma boa parte de seus lucros.

Sendo um antigo aplicador do mercado imobiliário norte-americano, Georges Soros percebeu ou antecipou o futuro colapso daquele sistema (que ocorreu em 2008) , e através de seu assistente ou assessor , o economista Arminio Fraga, passou a comprar os “negócios da China”, as “privatarias” de 65 empresas estatais brasileiras, 45 empresas estatais mexicanas e mais de 20 estatais na Argentina. Todos esses “negócios”, foram feitos respectivamente nos governos de FHC, Salinas e Menem. Esses verdadeiros “China Business” foram amplamente anunciados na imprensa internacional pelos bancos das privatizações, desses país, incluindo o BBA (Banco Bracher e Arida, pertencente aos senhores Fernão Bracher e Pérsio Arida), e o Banco Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, que teve sua prisão diligenciada pelo delegado Protógenes, e por cuja causa, para abafar o caso, Protógenes foi exonerado de suas funções na Polícia Federal.

Embora aposentado há dois anos na Petrobrás, lembro que em meus últimos anos passados na empresa esta já operava em muitos campos do Pré-Sal, reserva descoberta em julho de 2007, estimada em 80 bilhões de barris, que quintuplicou as reservas do Brasil. Acho que essa é a única explicação para os ataques ferozes do maior império consumidor de petróleo do mundo (EUA e Inglaterra). Todos esses campos do Pré-Sal estão batendo recordes diários e já estavam em operação inúmeros TLDs (Testes de Longa Duração) e FPSOs (Float Production Storage Operation), gigantesco navio-plataforma, que produz, no caso da Petrobras, cerca de 180 mil barris por dia e estoca mais de um milhão de barris. Essa carga é depois transferida para navios petroleiros, que leva o óleo para os Terminais da Petrobras.

Insisto, todas essas unidades estão em plena operação no Pré-sal, batendo recordes impressionantes a cada dia, e, na maioria das unidades com uma dezena de “poços produtores” e “poços de teste” – muitos uma com vazão surpreendente média de 40 a 45 mil barris por dia por poço, cada um capaz de abastecer uma refinaria.

Os TLDs são as unidades que operam na fase inicial do campo. Há 30 anos, essas unidades de produção inicial eram chamadas SPAs (Sistemas de Produção Antecipada) cujo objetivo, num prazo médio de 2 a 3 anos, é obter os dados da Geologia do petróleo, tais como viscosidade e grau API médio, para adequar a operação das futuras unidades definitivas.

No Brasil, novas regras legais surgiram desde 1997 com a criação da ANP (Agência Nacional do Petróleo), quando elas passaram a ser denominados TLDs (teste de longa duração), geralmente “unidades fretadas” disponíveis no mercado para operar na fase de testes. Essa é a maneira como atuam em todo o mundo, existindo grandes fretadoras de FPSOs de pequeno porte (SBM, Modec, BW, etc). Aqui no Brasil temos uma “limitação legal” criada pela ANP, pois em função dos “prazos prazos legais diferenciados” determinados pela ANP durante a sua criação em 1997, foi estabelecido para a Petrobras, um “prazo legal de três anos antes do início da operação após a “declaração da descoberta e da comercialidade do campo”. Esse prazo pode ser considerado arbitrário, porque para as petrolíferas estrangeiras, esse prazo é dilatado para oito anos.

Isso fez com que a Petrobras desde 1997, partisse para a opção dos “afretamentos” (aluguel de unidades na “fase de teste”, principalmente após o acidente da P-36, pois a pressa, a pressão e a ingerência da ANP, obrigaram a Petrobras, logo na descoberta do gigantesco Campo de Roncador em 1997, a fazer “contrato turn-key” para reduzir o prazo da obra, e atender aquela limitação legal absurda de apenas 3 anos para inicio da operação.

Se, no caso das grandes unidades, somarmos o prazo do “projeto conceitual e da Base de Projeto”, geralmente de um ano, e mais o prazo do “Projeto Básico”, que dura em média 18 meses nos casos de grandes unidades, considerando ainda o prazo do ‘Projeto de Detalhamento”, que demora na média, uns 24 meses e o prazo da obra que se inicia após o detalhamento, mais a fase de “pré-operação”, o prazo imposto não tem sentido, quando deveria, no mínimo, para cumprir com todas essas etapas, de 5 anos para a implantação de uma grande plataforma petrolífera. Também não se justifica que os prazos sejam diferentes para a empresa nacional e as estrangeiras privilegiadas. Tais regras foram estabelecidas pelos burocratas e advogados ligados aos senhores FHC e a seu genro, sr David Zylbersztajn, que nada entendem de obras de Engenharia.

Essa improvisação foi uma das causas do acidente e desastre da P-36. A ANP em concordância com a diretoria da época da empresa, Barusco e Duque, promoveram o contrato turn key, que não permite sequer uma eficiente fiscalização e controle. Nessa modalidade, a contratada assume todos os riscos, e o documento foi assinado com a Marítima em 1997. Tal empresa pertencia a um amigo de Zylbersztajn, sem qualquer experiência em plataformas petrolíferas. O acidente contou com outras causas coadjuvantes: falhas de construção pela inexperiência da empresa Marítima (o dono dessa empresa que construiu a P-36 é o Senhor German Eframovitch, um “testa-de-ferro” de Zylbersztajn, sendo que, com os lucros da P-36, ele pôde criar a empresa de aviação Oceanair, além de comprar a AVIANCA.

A produção na camada Pré-Sal, é portanto de alta produtividade em razão das características geológicas do petróleo leve da camada. Quando eu embarcava para resolver assuntos técnicos, os Geplats (Gerentes das plataformas) comentavam muito essa alta produtividade dos poços na camada Pré-Sal, que se estende numa faixa de 200 km da costa brasileira desde Santa Catarina até o sul da Bahia, na Bacia do Espirito Santo.

O que tenho acompanhado no blog da Petrobras, e nos sites do Sindipetro, é justamente o contrário da antipropaganda de “desinvestimento”: todos os investimentos da Petrobrás “no Brasil” serão mantidos, até porque os projetos estão adiantados, muitos já em fase de detalhamento e construção, incluindo os FPSOs “Replicantes” da Bacia de Santos, e os FPSOs da Cessão Onerosa. É interessante anotar que a empresa teve que pagar em dinheiro para a ANP, 5 bilhões de reais em 2011, para que não fosse leiloado.

Portanto, a notícia da redução dos investimentos da Petrobras só pode ser um equívoco ou uma interpretação equivocada da divulgação no blog da Petrobras sobre o Plano de Desinvestimento no Exterior, anunciado desde a demissão de Costa e Cerveró em março de 2012. Na mesma época, outros ex-diretores nomeados por FHC, ferozmente alinhados aos desmontes da internacionalização e extinção dos departamentos, e o fatiamento da empresa pela criação das Unidades de Negócio, foram demitidos (dois) e os outros se desligaram da Petrobrás para trabalhar em mercados privados ou para se aposentarem.

É importante também entender o desastre provocado pelo desmonte das 65 estatais lucrativas que foram privatizadas, sendo duas no governo Collor (Usiminas e Acesita) e as outras 63 no governo FHC, incluindo o negócio mais lucrativo do mundo: as seis petroquímicas da Holding Petrobras que foram construídas pela Petrobras nas décadas de 1960 e 1970. Elas geram lucros exorbitantes para a Nação e agora esses lucros exorbitantes vão para os “bolsos privados” que as compraram a preços ínfimos em outros tantos “negócios da China”, ou seja, negociatas feitas por FHC em 1995 e 1996 como favores ao capital privado. Portanto todas as estatais lucrativas incluindo a metade das ações da Petrobrás e suas petroquímicas subsidiárias foram vendidas a preços ínfimos, além das 26 empresas de telecomunicações da Telebras, vendidas a “preço de banana” e com concessão de empréstimos, na maior parte para os espanhóis da Telefonica, crimes que se podem considerar de “lesa-pátria”.

Se as estatais fossem vendidas a preços corretos, na remuneração justa do capital, forneceriam recursos para construir e equipar vinte mil hospitais públicos, construir dez mil escolas, duas para cada cidade brasileira, e ainda sobraria para reconstruir as ferrovias brasileiras, sucateadas mais ferozmente também nos governos Collor e FHC.

Por essa razão, FHC criou uma REDE DE PROTEÇÃO, no “apagar das luzes” do governo em 2002, que proíbe por trinta anos (portanto até 2032) investigar todos os processos de privatização feitos no seu governo e ainda tornam sigilosos todos os documentos das privatizações, incluindo a venda das ações preferencias da Petrobras para o patrão de Armínio Praga, digo, Armínio Fraga, o megaespeculador George Soros dono da empresa de fomento que detém hoje o maior controle acionário privado da Petrobrás e ainda ele controla outras 25 empresas estatais de energia elétrica privatizadas no México, Argentina, Leste Europeu e Ásia.

Fernando Collor inclusive, contratou a consultoria de um banco estrangeiro para propor um maquiavélico Plano de Desnacionalização e Privatização das Estatais Brasileiras. O plano vazou na mídia empresarial por ser altamente lesivo aos interesses públicos, foi publicado na íntegra no jornal RR (Relatório Reservado – edição de Julho de 1990), com o título do relatório “Preliminary ideas for a privatization master plan in Brail of Petrbrás Group, Eletrobras Group, Telebras Group, Siderbras Group and Infraero Group – The First Suisse Bank of Boston – april 1990”.

O documento propôs centenas de ações governamentais e políticas “passo a passo” para fazer os desmontes nas 65 estatais brasileiras mais lucrativas, incluindo, o fatiamento dessas empresas em “Asets”, Unidades de Negócio, extinção de departamentos estratégicos e de todas as subsidiárias lucrativas, provocar sindicatos para fomentar “greves desgastantes”, internacionalizar a petroleira brasileira e vender ações no Exterior para tirar o foco nacional, desnacionalizar as empresas, nomear “aliados internos”, com algumas promoções “meteóricas” e muitas outras maldades.

Desejando-se conhecer o que sobrou após esses desmontes, digite-se o título no Google “George Soros e a Petrobrás”, e lá se encontrarão as últimas movimentações de Soros. Em 1999, ele ganhou a “raspadinha” do lote bilionário de quase metade das ações preferenciais da Petrobrás (PETR4) vendidas no NYSE por FHC e seu genro, a preços ínfimos. Soros pagou a bagatela de um bilhão de dólares com moedas podres do mercado imobiliário, depois ainda revendeu uma parte para outros investidores americanos em agosto de 2007, quando as ações tiveram a maior alta da história. Elas explodiram após a descoberta do Pré-Sal em julho de 2007, e agora, mais recentemente, durante todo o ano de 2014, com os ataques políticos no Brasil e o dumping mundial do preço do petróleo, iniciado em janeiro de 2014 – o qual fez cair pela metade o valor do barril de petróleo – golpe do Império para afetar os países produtores não-alinhados (Irã e Venezuela). As ações de 20 petrolíferas caíram desde janeiro do ano passado, e Soros aproveitou para recomprar as ações que ele vendeu na alta em 2007, recomprando agora na baixa.

Bento Araújo, professor e engenheiro, tem uma carreira de 45 anos na indústria, sendo que 26 anos na Petrobrás. Anteriormente trabalhou (19 anos) em outros setores da área de infra-etrutura, como o Setor Elétrico, pela subsidiária SBE da Eletrobras; na construção e ampliação da ACESITA, empresa siderúrgica produtora de aços especiais; e na Cia Vale do Rio Doce – obras de ampliação da Mina Conceição e Mina do Campestre, em Itabira.